Oficiala de Justiça sofre ataque com marreta durante cumprimento de mandado em Hortolândia

A Oficiala de Justiça do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Kátia Cilene, foi vítima de uma grave ocorrência de violência durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão de veículo, na última quinta-feira (16/7), em Hortolândia (SP). O agressor utilizou uma marreta de aproximadamente 6,6 quilos para atacar o representante da instituição financeira que acompanhava a diligência e acabou preso em flagrante. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.
A diligência ocorreu em uma oficina de funilaria, onde estava um veículo Chevrolet Cruze objeto da ação judicial. Segundo a Oficiala de Justiça, todo o procedimento foi realizado dentro dos protocolos legais. “Eu me identifiquei ao proprietário da oficina, confirmei que o veículo era o objeto da ação, realizei a vistoria, lavrei o auto de apreensão, nomeei o depositário e a chave já estava com ele. Tudo transcorria normalmente”, relatou Kátia.
Ainda de acordo com a servidora, o proprietário da oficina informou que comunicaria o cliente sobre a retirada do automóvel. Pouco depois, um homem chegou ao local afirmando que representaria os interesses do possuidor do veículo.
“Ele começou a dizer que ninguém levaria o carro. Expliquei que se tratava de uma apreensão provisória, determinada judicialmente, e que havia prazo legal para discutir a medida na Justiça. Fiz toda a explicação técnica, mas ele estava completamente exaltado”, afirmou.
Percebendo o comportamento agressivo, a Oficiala posicionou-se à frente do representante do banco, que possui menor porte físico.
“Ele já vinha em direção à briga. O localizador tem menor porte que eu e eu precisei colocá-lo atrás de mim para protegê-lo”, contou.
Em seguida, o agressor afirmou que destruiria o veículo. Para impedir danos ao bem apreendido, a Oficiala entrou no automóvel. Foi nesse momento que o homem pegou uma marreta utilizada na oficina de funilaria. “Era uma marreta dinâmica, de 6,6 quilos, inclusive pesada na delegacia. Ele simplesmente perdeu o controle”, relatou.

Segundo a servidora, o agressor exigiu as chaves do veículo e, antes mesmo que o representante da instituição financeira conseguisse entregá-las, desferiu um golpe com a ferramenta. “Ele mirou na cabeça do rapaz. A vítima ainda conseguiu desviar, mas o golpe atingiu o rosto. Começou um grande sangramento. Achei que ele tivesse morrido”, relembrou.
Enquanto prestava socorro à vítima, o agressor conseguiu tomar posse das chaves, entrou no veículo e fugiu.
Antes de deixar o local, ainda fez ameaças. “Ele voltou e disse: ‘Eu sou Melinho do crime e ninguém vai tirar o carro de mim’. Depois acelerou e foi embora”, contou a Oficiala.
Logo após a fuga, a servidora acionou a Guarda Civil Municipal e solicitou a inclusão da placa do veículo no sistema de monitoramento da cidade. Em seguida, levou a vítima ao Hospital Mário Covas, onde ela recebeu atendimento médico.
Posteriormente, compareceu ao Plantão Policial de Hortolândia para registrar a ocorrência.
Com as informações reunidas durante a diligência e o trabalho integrado entre a Guarda Municipal e a Polícia Civil, o suspeito foi identificado, localizado e preso. Ele também indicou o local onde havia escondido o veículo, que foi recuperado e restituído à instituição financeira.
“A polícia fez a diligência, ele foi preso, indicou onde estava o veículo e hoje fiquei sabendo que a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva”, informou a Oficiala.
O caso foi registrado pela Polícia Civil e evidencia, mais uma vez, os riscos enfrentados diariamente pelos Oficiais de Justiça durante o cumprimento de ordens judiciais.
A AOJESP manifesta total solidariedade à Oficiala de Justiça e à vítima da agressão, desejando sua plena recuperação, e reafirma a necessidade de adoção de medidas efetivas para ampliar a segurança dos Oficiais de Justiça no exercício de suas funções. Casos como esse demonstram que o cumprimento de decisões judiciais frequentemente expõe esses servidores a situações de elevado risco, reforçando a importância do fortalecimento de políticas de proteção para a categoria.



