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Associado da AOJESP lança livro sobre histórias vividas no cotidiano de um Oficial de Justiça

O associado da AOJESP André Luiz dos Santos Rocha lança, no próximo dia 16 de outubro de 2026, o livro Vivendo na Contrafé – Insólitas histórias do cotidiano de um Oficial de Justiça. O lançamento será realizado às 19h, na sede da OAB – 50ª Subseção de Araras (SP), com noite de autógrafos.


A obra nasceu de décadas de experiências vividas pelo autor no exercício da profissão. Ao longo dos anos, André acumulou histórias que, por diferentes motivos, permaneceram em sua memória. Muitas delas eram compartilhadas com a família ao retornar das diligências: “Uma ação de despejo movida pelo filho contra o pai; uma busca e apreensão de uma panela de pressão; as ameaças sofridas no cumprimento do mandado motivadas por desconhecimento jurídico do executado” são alguns dos exemplos lembrados pelo autor.


Com o passar do tempo, essas experiências foram se acumulando. Algumas situações, segundo André, ultrapassavam o simples cumprimento de uma ordem judicial e acabavam envolvendo-o emocionalmente. Foi então que surgiu a ideia de registrar essas histórias: “Foi então que me veio um insight… por que não registrar tudo isso em um livro?!”, conta.


A ideia permaneceu durante anos, até que a aposentadoria, os filhos criados e a disponibilidade de mais tempo permitiram que o projeto fosse concretizado. Assim nasceu Vivendo na Contrafé.


Mostrar a importância do Oficial de Justiça:


Para André, o livro também tem uma finalidade importante: aproximar a sociedade da realidade do Oficial de Justiça e mostrar a relevância da atividade para o funcionamento do Poder Judiciário. O autor destaca que a profissão ainda é pouco conhecida pelo público. Ele próprio já ouviu, por exemplo, a pergunta: “Você tem muito papel para entregar hoje?”. Embora aparentemente simples, a pergunta revela, em sua avaliação, o desconhecimento sobre a verdadeira dimensão do trabalho: “Com este livro, quero mostrar a importância desse profissional e evidenciar que, sem o Oficial de Justiça, muitas vezes a Justiça não se materializa”, afirma.


O livro foi prefaciado pelo desembargador Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, que também chama atenção para o desconhecimento da sociedade sobre a função e para o papel do Oficial de Justiça como agente responsável por levar a decisão judicial à realidade.


Além de apresentar o cotidiano profissional, André espera que as histórias provoquem identificação e reflexão nos leitores: “Quero que o leitor se imagine em cada história, que se reconheça nas situações narradas e, de alguma forma, olhe para dentro de si e se questione”, explica.


Histórias escolhidas entre milhares de mandados:


A seleção dos episódios que fariam parte do livro também foi um desafio. André estima ter cumprido mais de 30 mil mandados durante sua carreira. Diante de tantas experiências, seria impossível registrar tudo em uma única obra. Algumas histórias já estavam anotadas em um arquivo pessoal; outras foram recuperadas ao revisitar a própria trajetória. “Realmente, foram essas as que mais me marcaram”, explica. Segundo o autor, os episódios escolhidos se destacaram pelo inusitado, pelo conflito ou pelo aspecto humano. Mesmo depois de muitos anos, continuavam vivos em sua memória.


Por que “Vivendo na Contrafé”?


O título do livro nasceu diretamente do cotidiano profissional. A “contrafé” é a cópia do mandado entregue à parte durante o cumprimento da ordem judicial. Para André, porém, o termo também permite um trocadilho: muitas vezes, o Oficial de Justiça chega à porta de alguém justamente na “contramão” dos interesses daquela pessoa: “Dificilmente alguém espera com entusiasmo a chegada de um Oficial de Justiça à sua porta”, observa. O título também estabelece uma relação com a palavra “fé”. A epígrafe do livro traz a frase bíblica “Combati o bom combate, completei a tarefa, guardei a fé”, que, para o autor, representa o encerramento de uma longa trajetória profissional e a forma como procurou exercer sua função. “Vivi na contrafé, sem perder a fé”, resume André.


O ser humano por trás do mandado:


Um dos principais objetivos da obra é mostrar que o trabalho do Oficial de Justiça não se resume à entrega de documentos ou ao cumprimento mecânico de uma determinação judicial. André quer que o leitor compreenda que, do outro lado do mandado, existe uma pessoa — e que o próprio Oficial de Justiça também é um ser humano. “Antes de enxergá-lo como o algoz daquela situação, ali está também um ser humano, que tem família, que tem suas dores, suas mágoas, suas paixões e seus sentimentos”, afirma.


O autor lembra que determinadas diligências podem deixar marcas emocionais no profissional. Ainda assim, a ordem judicial precisa ser cumprida. “Cumprir uma ordem não significa deixar a humanidade de lado”, ressalta. Para André, essa é uma das principais reflexões que gostaria de deixar ao leitor: compreender que, além do processo e do mandado, existem pessoas vivendo situações que, muitas vezes, estão entre as mais difíceis de suas vidas: “Na ponta de todo processo há sempre pessoas. E o Oficial de Justiça também é uma delas.”


Uma mensagem aos colegas:


Aos Oficiais de Justiça e associados da AOJESP, André deixa uma mensagem de perseverança.
Ele reconhece que a carreira passa por diferentes momentos e que leis, normas internas e decisões podem, algumas vezes, não considerar plenamente a realidade encontrada diariamente pelos profissionais nas ruas. “Quem está nas ruas sabe que nem sempre aquilo que parece simples dentro de um processo é simples quando se chega ao endereço e se encontra a realidade”, afirma.


Apesar das dificuldades, André considera extremamente gratificante a trajetória que percorreu. Foram milhares de lares, empresas e outros locais visitados, além do contato com pessoas e histórias de diferentes realidades: “Tenho a sensação de que, de alguma maneira, pude ajudar muitas pessoas ao longo desse caminho. Tudo isso foi muito engrandecedor.” Para ele, a profissão também trouxe uma transformação pessoal: “Fez de mim um ser humano melhor, mais compreensivo e mais sensível à dor do outro.”


Aos colegas, a mensagem final é para que sigam em frente, cumpram seu dever e enfrentem as dificuldades da profissão sem perder a capacidade de enxergar quem está do outro lado.


Serviço:
Livro: Vivendo na Contrafé – Insólitas histórias do cotidiano de um Oficial de Justiça
Autor: André Luiz dos Santos Rocha
Data: 16 de outubro de 2026
Horário: 19h
Local: Sede da OAB – 50ª Subseção de Araras
Endereço: Rua Louis Pasteur, 230 – Jardim Universitário – Araras/SP

Luiz Felipe Di Iorio Monte Bastos

Jornalista (MTB nº 46.736-SP) graduado pela Universidade Católica de Santos -UniSantos- e pós graduado no nível de especialização pela Fundação Cásper Líbero.

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